Sobre mim

Sou teólogo, cuja alma mater é o Seminário Presbiteriano “Rev. José Manoel da Conceição”. Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Federal de Sergipe, concluindo licenciatura em filosofia, pesquisador associado do Grupo de Pesquisa Diáspora Atlântica dos Serfarditas (GPDAS) e do Observatório Multidisciplinar de Religiões e Religiosidades (OBSERVARE), ambos na UFS, e também associado efetivo da Associação Brasileira de Cristãos na Ciência (ABC2).

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Eu na rua 24 de maio no dia 24 de maio.

Esta página pessoal tem por objetivo fazer um registro de minhas atividades acadêmicas e profissionais, as quais incluem, além da dissertação do mestrado sobre A Teoria do Amor de Judá Abravanel na sua obra Diálogos de Amor, meus interesses de pesquisa atuais focam nas inter-relações entre religião e política, notadamente nas obras de Johannes Althusius e Herman Dooyeweerd, além das inserções judaica e protestante no Brasil entre os sécs. XVI e XIX.

Aqui estão presentes concepções que esclarecem minha cosmovisão cristã, de matriz protestante, e como ela direciona meu labor diário. Por cosmovisão, adoto aqui o conceito traduzido do termo alemão Weltanschauung, que carrega o entendimento de perspectiva de vida, visão confessional, princípios fundamentais ou ideais adotados por uma pessoa.

Apresentadas minhas pressuposições cognitivas, é preciso ressaltar que os dados e observações aqui postos esforçam-se por uma abordagem de rigor metodológico na produção das análises que faço.

Falando em pressuposições que conduzem a investigação científica, evoco a própria história da ciência. Ao analisar o grau de arbitrariedade presente no assim chamado desenvolvimento científico, Thomas Kuhn, nas páginas iniciais de sua famosa obra, ressalta que

a ciência normal, atividade na qual a maioria dos cientistas emprega inevitavelmente quase todo seu tempo, é baseada no pressuposto de que a comunidade científica sabe o que é o mundo. (KUHN, 2006, p. 24)

Tomo esta observação para ressaltar o grau fiduciário da pesquisa científica em seu esforço de mostrar-se pretensamente autônoma em seu racionalismo. Primeiro, destaco o quanto a comunidade científica torna-se um critério fundante e balizador de suas próprias análises; depois, por considerar que seus operadores sabem em caráter definitivo o que deveria, em princípio, ser um conhecimento contingente do mundo, seu objeto de estudo.

Pressuposições, todos temos. Eu exponho as minhas enquanto escrevo estas linhas, você utiliza as suas enquanto as lê.

Recentemente escrevi um artigo (a publicar) no qual um dos tópicos provocava com a expressão PRESSUPONDO DEUS COMO ESTRUTURA DA REALIDADE. Reproduzo um parágrafo:

Um dos elementos distintivos da tradição judaico-cristã é a pressuposição de Deus como condição estruturante da realidade, ou seja, Deus como fundamento de sua cosmovisão. Se adotarmos as palavras do pesquisador em religião Albert Wolters para definirmos cosmovisão, esta será entendida como “a estrutura compreensiva da crença de uma pessoa sobre as coisas” (WOLTERS, 2006, p. 12). Com isto, a cosmovisão judaico-cristã formadora da civilização ocidental reconhecerá que o elemento pístico confunde-se com o natural; que nada é tão santo ou sagrado que não esteja presente no dia-a-dia, nem tão comum que não mereça um olhar de santificação. A partir deste conceito, pode-se considerar que a interpretação da realidade sob a ótica judaico-cristã requer, necessariamente, a aceitação de que o mundo será melhor compreendido se interpretado com uma visão religiosa da vida, pois só ela conduzirá o homem à transcendência do mundo que o cerca.

E é assim que compreendo o mundo, em perspectiva judaico-cristã. Esforçando-me em fazer ciência e produzir pesquisa consciente das aproximações e distanciamentos que se requer por método e por pressuposições declaradas.

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SERgipano em pose de fidalgo no dia 24 de maio de 2014.

Essas pressuposições analisam o mundo e interpretam a vida em três tempos conceituais: CRIAÇÃO, QUEDA e REDENÇÃO (vide Meu Credo Epistêmico). E reconhece a importância de entender a religião plenamente integrada ao todo da existência humana em suas multiformes áreas de ação, sejam sociais, econômicas, políticas, jurídicas ou filosóficas, pois, não somente há religião em todas as ações humanas, mas também tudo na vida é religião. Não há ciência honesta sem levar isto em conta. Como ressaltou Hooykaas:

À época em que surgiu a ciência moderna, a religião constituía um dos fatores mais poderosos da vida cultural. O que as pessoas pensavam de Deus (ou dos deuses) influenciava sua concepção de natureza, o que, por sua vez, influenciava os seus processos de investigação da natureza, ou seja, a sua ciência. (HOOYKAAS, 1988, p. 16)

Assim, entre o vício de esquecer as pressuposições religiosas e a virtude de não negá-las, aqui seguiremos com esta página.

Agora, um pouco de Gregório:

Uma só natureza nos foi dada;

Não criou Deus os naturais diversos;

Um só Adão criou, e este do nada.

Todos somos ruins, todos perversos,

Só nos distingue o vício e a virtude

De que uns são comensais,

outros adversos.

Gregório de Matos

ex uno omnia
Novembro de 2016.

REFERÊNCIAS

HOOYKAAS, R. A Religião e o Desenvolvimento da Ciência Moderna. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1988.

KUHN, Thomas S. A Estrutura das Revoluções Científicas. São Paulo: Perspectiva, 2006.

WOLTERS, Albert M. A Criação Restaurada. São Paulo: Cultura Cristã, 2006

 

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